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Carta manuscrita e desenho de Cícero Dias para Manuel Bandeira

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  • R$ 14.000,00


Cícero Dias conta, e desenha, para seu grande amigo Manuel Bandeira seus intensos sentimentos por uma musa.

Carta manuscrita inédita de Cicero Dias para Manuel Bandeira. uma página, frente e verso. Em português. Sem data, sem localização. 13.7 cm x 9.6 cm. Excelente estado. Peça única.

Bandeira

eu recebi o telegrama de / você, não sabe como eu sempre / continuo
admirando o meu / grande amigo Manuel Bandeira. / Tudo aquilo foi um
efeito de / amôr de muito amôr eu como / sempre sem saber onde ir parar. /
Bandeira você não sabe / de nada eu ahi contarei / tudo, tudo. / Você
escreveu sobre o nosso / Gueldi 1 deve ser optimo o / escripto. / Eu agora
estou a[m]ando e vivo / numa excitação damnada / noite e dia ai meu
Bandeira / se eu ja podesse estar pintando / quantas vezes eu já teria /
beijado a boca do meu / amor quantas vezes eu ja / teria dado flores e
estrelas // você sabe eu agora / deixei criar um / bigode. / Pode estar certo /
que eu quando / chegar ahi vai / se desenhar até / morrer. / Ella é linda
calcule / que é uma soma / de Brigte-Helm 2 e de / Greta Garbo é o resumo /
de tudo no mundo / que nós sabemos. / Bandeira mais o meu / maior abraço
/ Cicero Dias (assinado)

Você deve dar ao Alvaro Moreyra / para publicar a poesia sobre mim / no
Hall do Palace pelo Carnaval / todos aqui acham optima.

1 Goeldi
2 Brigitte Helm

Nascido no Recife, Bandeira (1886 - 1968) publicou seu primeiro livro, “A cinza das horas”, assim que regressou da Suíça, país ao qual havia viajado para tratar de sua tuberculose. Desde então, não parou mais, e entre poesias, prosas e antologias, marcou seu estilo simples, mas lírico, tratando de temas universais e cotidianos. Cícero Dias (1907 - 2003), por outro lado, apesar de também ser pernambucano, nasceu em Escada, no ano de 1907, e cresceu no interior do estado até sua mudança para o Rio de Janeiro, aos treze anos de idade. Na capital carioca, ele fez sua primeira exposição e nunca mais parou, trabalhando tanto no Brasil, quanto nos Estados Unidos e Europa. Em suas obras, eram elementos recorrentes as mulheres, os casarios e as folhagens, o pintor manteve a influência da brasilidade ainda quando em solos estrangeiros.

Porém, mais que nomes marcantes na história da arte do Brasil, Manuel e Cícero foram grandes amigos. Bandeira, por exemplo, criticou de maneira muito positiva uma exposição do pintor na Policlínica Geral no ano de 1928, declarando que a arte de Cícero era profundamente dramática e deformadora. Detalhes mais íntimos dessa amizade são relevados nessa carta inédita do pintor ao poeta, na qual Cícero afirma estar apaixonado, discorre sobre a intensidade de seus sentimentos e a beleza da mulher amada e conta: “Eu agora estou amando, vivo numa excitação danada”, afinal, quem de nós não conhece tal sensação?

Cícero não revela o nome de sua musa que ele desenhou aqui, seria ela Raymonde Dias? A bela francesa, que se tornou esposa do pintor e com ele conviveu por mais de 60 anos, foi uma das maiores apoiadoras de sua arte. Cícero e Raymonde se conheceram em uma Paris devastada pela ocupação alemã, e mesmo em meio ao caos, se apaixonaram e nunca mais puderam separar-se.

Por que esse documento é raro?

Conhecemos as tintas de Cícero e as palavras de Bandeira quase como hinos, e ainda assim, seus dizeres mais confidenciais revelam as personalidades humanas por detrás de seu merecido reconhecimento. As correspondências pessoais dos grandes artistas nos dão a oportunidade de penetrar em sua armadura e encontrar um ponto de identificação que ressignifica suas obras. Manuel Bandeira e Cícero Dias foram homens que sentiram e viveram como todos nós, transformaram, porém, essas vivências em arte, e com isso nos deixaram um presente e infinitas histórias a serem imaginadas.

Por isso, essa carta de imensa intensidade, é tão especial : pode ser sua.


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