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Carta manuscrita de Cândido Portinari (1939)

Carta manuscrita de Cândido Portinari (1939)

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Em 1939, Cândido Portinari ilustra com um desenho raro uma carta a Enrico Bianco

  • Carta manuscrita de Cândido Portinari para Enrico Bianco.
  • Uma folha, uma página, com seu envelope e um desenho de cadeira.
  • +/- 21 cm x 28 cm.
  • Em português.
  • São Paulo, 16 de março 1939
  • Excelente estado de conservação.
  • Conjunto único.

Transcrição da carta

Prof. Candido Portinari
Chefe da 16ª Seção Didática
da Universidade do Distrito Federal

Caro Enrico,

Desejo que V. me faça o favor de ir ao “Expresso Paulista” a rua [Evaristo da Veiga], saber se enviaram para Brodowski o carro e a caixa.

Se for preciso pagar ali pague e mande dizer quanto foi.

No dia que embarcamos eles ficaram de mandar receber e não mandaram.

Aqui vamos todos bem.

Embarcamos para Brodowski no sábado à noite. Lembranças para os seus.

Receba um abraço do
Portinari

São Paulo, 16 – III – 1939.

Em 1939, Candido Portinari já era um dos artistas mais importantes do Brasil, consolidado no cenário nacional e em plena projeção internacional, com participação em grandes exposições e envolvimento em encomendas públicas durante o período de Getúlio Vargas. Esta carta revela um aspecto concreto de sua atividade: a gestão prática do seu trabalho, mencionando o envio de objetos — possivelmente ligados a obras ou materiais — para Brodowski, sua cidade natal, que ocupa um lugar central em sua trajetória e em sua obra.

O destinatário, Enrico Bianco, era um pintor e colaborador direto de Portinari, integrando seu círculo mais próximo. Bianco trabalhou ao seu lado em diversos projetos e participou do ambiente do ateliê, sendo uma figura relevante na execução e difusão de suas obras. 

O desenho no verso pode ser atribuído ao próprio Portinari. Ele está diretamente integrado ao documento, sem sinais de adição posterior, e apresenta características materiais coerentes com o restante da carta: a análise visual indica que a tinta e o instrumento de escrita são os mesmos utilizados no texto e no envelope. O desenho da cadeira é talvez uma referência pessoal ou uma ‘piada interna’ entre os dois artistas (estamos pesquisando).

Este conjunto apresenta uma bela assinatura, um destinatário identificado e relevante na história do artista, uma forte dimensão biográfica com a menção a Brodowski e, sobretudo, a presença de um desenho no envelope. Portinari é considerado por muitos o maior pintor brasileiro da primeira metade do século XX, ao lado de Tarsila do Amaral, e cartas inteiramente manuscritas e assinadas por ele são muito raramente oferecidas ao público, surgindo apenas algumas por década.

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