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Carta manuscrita de Carlos Gomes (1880)

Carta manuscrita de Carlos Gomes (1880)

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Em 1880, Carlos Gomes atravessa o Atlântico como mestre consagrado.

  • Carta manuscrita de Carlos Gomes para um destinatário ainda não identificado.
  • 20.4 cm x 25.4 cm.
  • Uma folha, quatro páginas.
  • Em italiano
  • Rio de Janeiro, 5 de outubro de 1880.
  • Excelente estado de conservação.
  • Peça única.

Não te descrevo as festas que me fizeram por toda parte as cidades brasileiras; essa tarefa caberia a um jornalista letrado; só te posso dizer que no Rio as festas foram colossais e talvez exageradas, tratando-se de um modesto músico como o teu Gomes. O pior foi que as festas se prolongaram demais, e acabaram por me aborrecer e cansar!

Em 1880, Carlos Gomes vive um dos ápices de sua carreira: após a estreia de "Il Guarany" em Lisboa, ele atravessa o Atlântico a convite do governo da Bahia, onde assiste às apresentações de "Salvator Rosa" e "Il Guarany". Segue depois para o Rio de Janeiro, onde é recebido com honras públicas, antes de prosseguir para São Paulo. É o retorno triunfal do "maestro brasileiro" à sua terra natal, celebrado pela imprensa e pela sociedade da época como um acontecimento nacional, período em que ele também compõe o Hino do Centenário de Camões.

Esta carta, escrita no Rio em 5 de outubro de 1880, em papel timbrado pessoal de Carlos Gomes, ecoa diretamente esse episódio: ela oferece um contraponto íntimo e raramente documentado. Longe do relato oficial e hagiográfico, Gomes confessa aí seu próprio cansaço diante da magnitude das celebrações, ao mesmo tempo em que evoca as apresentações de "Salvator Rosa", uma dívida comercial de duas mil libras-ouro ligada à difusão de suas partituras no Brasil, e sobretudo a entrega de uma condecoração imperial - a Ordem da Rosa - da qual se torna portador para um amigo milanês, provavelmente ligado à casa Ricordi. O documento captura, assim, no instante, a coexistência em Gomes entre a glória pública e uma vida relacional e comercial bem mais terrena.

A extensão do texto, a riqueza de seu conteúdo biográfico e a precisa delimitação temporal que documenta — no coração da turnê brasileira de 1880 — fazem desta carta uma peça de interesse excepcional para qualquer coleção dedicada ao compositor ou à música brasileira.

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