Carta manuscrita de Dom Pedro II para um cientista francês (1880)

Carta manuscrita de Dom Pedro II para um cientista francês (1880)

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Em 1880, Dom Pedro II se interessa pelo novo Fotofone de Graham Bell e observa Júpiter, a partir do Observatório do Rio de Janeiro.

Carta manuscrita de Dom Pedro II para o Henri Edouard Tresca. Uma página. Em francês. 13.6 cm x 21.1 cm. Rio de Janeiro, dia 23 de ? 1880. Excelente estado. 

Senhor,

Não tive muitas oportunidades de falar de ciências nos últimos meses. Não podemos ainda avaliar toda a importância do principio a partir do qual o fotofone foi inventado. Li os últimos relatórios do seu governo a respeito da comissão do metrô e estou esperando as informações oficiais e particulares sobre esse assunto.

Estou mandando um novo trabalho do Observatório do Rio. Tive a oportunidade de desfrutar a vista do belo arco de Júpiter.

Saudações para você e para todos meus conhecidos na França.

Dom Pedro d´Alcântara. 

Muito interessado em ciências e tecnologia desde criança, Dom Pedro II estudou a vida toda línguas, astronomia, geologia, arqueologia e várias outras disciplinas. Através de leituras, observações, viagens e encontros, adquiriu aos poucos um real conhecimento nestes campos de pesquisa, apesar do pouco tempo deixado por suas responsabilidades políticas e administrativas como Imperador do Brasil.

Muitas vezes acusado de indiferente às questões sociais e políticas do país, fazendo com que os jornais brasileiros o representassem frequentemente com uma luneta na mão, uma clara referência ao seu interesse pela astronomia, Dom Pedro II era muito elogiado pelo mundo acadêmico, de literatos e cientistas, por seu amor e dedicação à arte e à ciência. O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), por exemplo, recebeu desde sua fundação em 1838 o apoio do Imperador, que participou de centenas de reuniões e financiou pessoalmente vários projetos de pesquisa.

Exilado na França nos dois últimos anos de sua vida após a Proclamação da República, o Imperador deposto dedicou-se quase exclusivamente às suas leituras, pesquisas e amizades científicas, como a com Henri Edouard Tresca (1814 - 1885). Tresca era um engenheiro tão renomado que Gustave Eiffel mandou gravar seu nome na Torre Eiffel, com os de 71 outras personalidades que honraram a França de 1789 até 1889.

Na década de 1880 o Brasil continuava prosperando, desenvolvendo-se, inclusive socialmente com, por exemplo, o primeiro movimento pelos direitos da mulher. Porém, as cartas que Pedro II escreveu nesta época costumam mostrar um homem cansado e um pouco pessimista. Mesmo levando a sério suas responsabilidades como Chefe de Estado, liderava sem grande entusiasmo.

Por que esse documento é raro ?

Escrita justamente em 1880, esta carta - em francês quase perfeito - mostra toda a curiosidade e o conhecimento de Dom Pedro em ciências. O Imperador comenta uma importante descoberta do momento : o Fotofone, inventado por Alexander Graham Bell e sua assistente, o ancestral dos smartfones dos dias de hoje. Vemos que o imperador participa e compartilha também das pesquisas do Observatório do Rio de Janeiro, que ele criou em 1846.

A carta é particularmente bonita, com papel e tinta em excelente estado. Notável também a escrita elegante do Imperador, que assinou "D. Pedro d´Alcantara", um costume dele com seus correspondentes estrangeiros.


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