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Carta manuscrita de Alberto Santos Dumont (1928)

Carta manuscrita de Alberto Santos Dumont (1928)

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Em 1928, Santos Dumont escreve da França sobre a tragédia de Santos e sua visão crítica do progresso no Brasil.

  • Carta manuscrita de Alberto Santos-Dumont a Guilherme Villares.
  • Uma página em uma única folha.
  • 12,5 cm x 17,5 cm.
  • Em português.
  • Região de Paris, 10 de março de 1928.
  • Bom estado de conservação, algumas pequenas marcas de umidade.
  • Peça única.

Transcrição

Caro Guilherme

Aqui estou com o Gomes, que  está doente há 12 dias em influenza e bronchite. Como ella não é um B.B., isto já é bem grave; mas vai melhor. Tenho bastante fé. Espero uns poucos dias cheios de accidentes de Santos mais será um pouco de “conquista da Terra” à la Carlos Sampaio. – Eu não digo isto! É no Brasil onde há terra!! Aqui estamos de novo com o frio e gelo. Pobres arvores fructiferas que já estavam em flor. Do Jorge continuo sem notícias!!  Parto, se Deus quiser, a Biarritz a 1º de Abril.  Saudações à Virgínia e a todos, um abraço do Alberto  

13.2.28 (Presidido em Abril)  

Em 10 de março de 1928, a cidade de Santos sofreu o maior desastre natural de sua história: o desabamento do Monte Serrat. Após dias de chuvas intensas, uma enorme massa de terra e pedras deslizou da encosta, destruindo casas e ruas inteiras na região central. O balanço foi trágico, com cerca de 80 mortos e dezenas de famílias desabrigadas.

O episódio marcou profundamente a opinião pública brasileira. A imprensa destacou a dimensão da catástrofe e levantou críticas sobre a ocupação desordenada dos morros da cidade. Curiosamente, o santuário de Nossa Senhora do Monte Serrat, padroeira de Santos e localizado no alto do morro, permaneceu de pé, o que foi interpretado por muitos como sinal de proteção divina.

Três dias depois da tragédia, em 13 de março de 1928, Alberto Santos Dumont escreveu uma carta em que faz alusão aos “acidentes de Santos”. O documento mostra como ele acompanhava de perto a realidade de seu país mesmo vivendo na França. Quando Santos Dumont escreve que os “acidentes de Santos” são “uma conquista da Terra à la Carlos Sampaio”, ele faz provavelmente alusão — com ironia — à maneira brutal pela qual o progresso e as grandes obras (ou aqui um deslizamento fatal) transformam a paisagem urbana brasileira.

M. Guilherme Vilares (ou Villars), destinatário da carta de 1928, pertencia a uma família de origem europeia estabelecida em São Paulo e ligada aos meios econômicos e culturais da elite paulistana, residindo na Avenida Paulista. Amigo e correspondente de longa data de Santos Dumont, fazia parte de seu círculo de confiança no Brasil, recebendo notícias pessoais e reflexões do inventor a partir da França. A assinatura “Alberto” é muito rara. Esse vínculo demonstra a proximidade de Santos Dumont com a elite intelectual e cosmopolita de São Paulo, que acompanhava de perto sua trajetória e com a qual ele mantinha um diálogo constante, mesmo no exílio.

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