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Documento escravista histórico (1832)

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Cinco negros africanos, escravos, chegam nas costas da América do Sul mas dois escaparam

Bilhete manuscrito de autor desconhecido para o capitão do Plutão. Uma página. 21.7 cm x 16.4 cm. Em espanhol. Montevidéo, Uruguai, outubro, 31 de 1832. Bom estado. Peça única.

Transcrição original

El Cap del Berg-goleta brasileño, Pluton, puede seguir viaje con los cinco negros del rol de otro buque, y aunque introdujo siete, consta en este departamento que han fugado dos.

Montevideo Oct 31 del 1832

Tradução em português

O capitão do Barquentine brasileiro, Plutão, pode seguir viagem com os cinco negros do outro barco, e ainda que tenha introduzido sete, consta neste departamento que dois tenham escapado.

Montevidéo, outubro, 31 de 1832

Poucos sabem que o Brasil divide com o Uruguai, seu vizinho ao sul, uma dura marca em sua história que vai além da Guerra da Cisplatina ou da famosa Guerra do Paraguai. O Brasil, país de passado agrícola e colonial, explorou em suas plantações a mão-de-obra escrava africana, no entanto, não foi o único no continente a fazê-lo, outro grande exemplo é o Uruguai, terra do churrasco e dos gaúchos, a nação também fez uso do trabalho forçado africano, e, através do tráfico de escravos, estabeleceu relações comerciais com o Brasil.

O Brasil viveu um longo período de escravidão, nas terras tupiniquins, o uso da mão-de-obra escrava foi extinto apenas em 1888, e foram quase 5 milhões de africanos trazidos ao país, tendo sido o Uruguai rota de navios de tráfico negreiro cujo destino final eram as plantações brasileiras. Além disso, foram os portugueses radicados no Brasil os responsáveis por levar os primeiros escravos ao Uruguai.

Outra peculiaridade é o fato da escravidão no Uruguai ter sido abolida muito antes que no Brasil, ainda em 1825, quando o Uruguai se libertou do domínio espanhol, o que fez com que muitos escravos brasileiros fugissem para a nação vizinha, já que, no Brasil, a abolição ocorreria somente 63 anos mais tarde.

Essa cicatriz histórica deixou fortes influências culturais que aproximam os dois países. No Uruguai da atualidade, 8% da população se considera negra, e as raízes africanas são fortemente notadas na cultura local, especialmente em algumas regiões da capital. O candombe, por exemplo, ritmo tradicional afro-uruguaio que soaria familiar aos ouvidos de qualquer brasileiro, foi declarado patrimônio imaterial pela Unesco no ano de 2009 e ecoa pelos tradicionais bairros africanos “Barrio Sur” e “Palermo” em Montevidéo, onde o carnaval também é comemorado anualmente com desfiles similares aos do nordeste brasileiro.

Por que esse documento é raro ?

A herança africana não é exclusividade brasileira ou uruguaia, as marcas do tráfico de escravos ao longo dos séculos podem ser vistas nas sociedades latino-americanas, ainda que suas formas sejam distintas em cada país. O trabalho africano foi base da edificação e da organização de toda a região e é fundamental contar essa história para resgatar a importância do povo africano na nossa sociedade, pois somente com o reconhecimento do nosso passado, poderemos entender como nossas origens e, finalmente, reconstruir nossas relações de forma mais igualitária.  Esse documento é um testemunho raro da escravidão e do tráfico humano da época, com um "detalhe" feliz : dois desses homens escaparam.





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