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Carta manuscrita de Alberto Santos Dumont (1927)

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"Estou apenas com 54 anos, mas penso que tenho trabalhado demais e que estou como um homem de 70 porque tudo me cansa."

Carta manuscrita inédita de Alberto Santos Dumont para Paul Tissandier. Uma página. Em francês. Gstaad, Suiça. 8 de janeiro 1927. Excelente estado.

Tradução em português

Meu caro Tissandier,

Vim aqui para Gstaad, fica perto de Val-mont, duas horas já me parecem uma imensa viagem!

Estou apenas com 54 anos, mas penso que tenho trabalhado demais e que estou como um homem de 70 porque tudo me cansa : Não tenho mais vontade de esquiar, eu fico passeando um pouco, ainda não fiz nenhuma das excursões.

Quanto/No que diz respeito ao futuro, não sei o que vou fazer. É muito provável que eu volte para Val-Mont. Temo não poder morar mais em uma grande cidade.

Sinto muito não poder dizer para você se vou ter a força de viajar para Paris. Mil amizades para toda a família.

Seu amigo.

Santos Dumont.

Park Hotel, Gstaad, 8.1.27

Conhecido pelos brasileiros como o pai da aviação, Alberto Santos Dumont (1873 - 1932), o primeiro homem a decolar a bordo de um avião impulsionado por um motor a gasolina, não sustenta o mesmo título em outros países do mundo. O questionamento sobre quem foi o inventor do primeiro avião ainda provoca embates. Os norte-americanos, irmãos Wright têm sua paternidade reconhecida na maioria das nações. Já na França, por exemplo, Clément Ader carrega a honra do mérito. Porém, se todos eles contribuíram para a história da aviação, por que não compartilhar o registro dessa criança? Seja essa uma questão de ego ou autoria, para os grandes gênios, foi difícil dividir as glórias de seu revolucionária invento.

Ainda assim, a era dos pioneiros chegou ao fim, e o golpe foi muito duro para o aviador brasileiro. O estado mental débil de Dumont pode ser percebido na carta que ele escreve a seu amigo Tissandier, famoso inventor de motores, no ano de 1927. Para essas épocas, nosso pai da aviação já estava internado em uma clínica de reabilitação em Valmont, na Suíça, onde passou vários anos tratando de seu estado psiquiátrico. Na carta, Dumont fala sobre seu cansaço, e que apesar de ter apenas 54 anos, sente-se como um homem de 70, já sem energia para atividades que antes geravam-lhe prazer. Quanto ao futuro, não sei o que fazer, dizia em suas letras.

Depois dos anos de trabalho árduo que esvaíram sua saúde, a aviação se tornava popular, e com isso, o exclusivismo de seus criadores desaparecia. Outros acontecimentos terminaram de minar a autoestima do criador, ele teve que admitir que foram os Wright os criadores do primeiro avião, e, além disso, viu seu grande invento sendo usado com fins militares de destruição em massa na Primeira Guerra Mundial. Talvez por isso, Dumont, como ele mesmo afirma em sua carta, já não pensasse em viver em uma grande cidade, estava cansado do burburinho.

Ainda que a história não tenha o mais feliz dos finais, ela é, seguramente, um aprendizado. Dumont foi um gênio que revolucionou o mundo, mas não conseguiu controlar seus pensamentos. Tenha sido ele ou não, o único inventor do avião, sua contribuição inegavelmente é parte de todo o esforço humano para voar, e é como parte de uma sociedade, e não como indivíduos isolados, que evoluímos. O que diria Dumont se soubesse que seu invento foi primordial para proliferar a crise sanitária que hoje vivemos? Mas também quantos foram os abraços, encontros e momentos de felicidade que a aviação trouxe a nossas vidas? Quando aprendermos a compartilhar igualmente as glórias e as calamidades, cresceremos coletivamente.

Por que esse documento é raro ?

Essa carta anuncia o fim trágico de Santos Dumont cujas cartas, autógrafos e fotografias são procurados por colecionadores do mundo inteiro.


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