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Carta manuscrita de Flora Morgan-Snell (1973)

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Em 1973, a artista brasileira Flora Morgan-Snell agradece um renomado crítico de arte francês que soube reconhecer seu talento.

Carta manuscrita de Flora Morgan-Snell para Bernard Gauthron. 4 páginas incluindo 2 desenhos, e o envelope. Em francês. Paris, 24 de junho 1973. Estado perfeito. Conjunto único. 

Muitas vezes, somos fascinados por personalidades históricas famosas que têm muitos talentos: a coleção Glórias tem como ambição apresentar muitas delas para Sofia, minha filha, e para vocês, através de documentos autógrafos. Também existem famosos que não têm talentos, são os novos heróis dos tempos modernos produzidos pela televisão e pela internet, que a história provavelmente esquecerá. Mas existe uma outra categoria, que também quero apresentar nessa coleção: os talentos que (ainda) não são famosos. São minhas "apostas". 

Flora Morgan-Snell (1920 - 2007) é, no meu ponto de vista, uma das grandes artistas que o Brasil e o mundo desconhecem ou esqueceram. Quais eram suas habilidades? A pintura e a escultura que descobri um dia nos meus passeios digitais. Suas obras são ignoradas no Brasil, embora ela tenha ganhado grandes prêmios como o Leonard de Vinci, do Salão de Arte Livre de Paris e de Escultura da Grécia, tenha exposto em galerias como a Bernheim-Jeune e no Museu de Arte Moderna da França, participado de eventos da UNESCO e organizado exposições de artistas contemporâneos brasileiros e estrangeiros na Europa. 

A escritora Clarice Lispector (na última de suas entrevistas para a revista Fatos e Fotos, publicada poucos antes de sua morte) conta sua visita na casa da pintora: (...) fomos recebidos no ultra suntuoso apartamento por um mordomo devidamente fardado. (...). Durante praticamente toda a entrevista (a Sra. Snell) não parou de sorrir (...) foi lacônica nas respostas (...). Eu já conheci muitos artistas – pintores, escultores, poetas, músicos, romancistas – e posso afirmar que a Sra. Snell foi a única a me transmitir tal absoluta segurança em si mesma, sem sinal das dúvidas que ocorrem em quem cria arte (...)

Segundo Roberto Ormon que estudou sua vida, a artista cresceu em Petrópolis e logo revelou a natureza autodidata. O interesse pelo corpo humano a levou aos livros de anatomia e a assistir campeonatos de luta, onde testemunhava a força e o movimento que abordaria em seu trabalho. Ao buscar estudo formal no Rio de Janeiro, a jovem acabou dispensada do curso. O motivo? Não havia mais nada que o professor pudesse lhe ensinar. Com 25 anos, participou de duas exposições na antiga capital federal e casou-se com Albert de Moustier, descendente da aristocracia francesa.

Flora mudou-se para Paris, onde estabeleceu a imagem de socialite em um meio dominado por homens, como os jurados de exposições que, algumas vezes, chegaram a imaginar que as obras eram, na verdade, de seu marido. De família rica, a pintora não dependia da venda de telas para viver e as criava para os que a admiravam, atendendo encomendas particulares, institucionais e do estado francês. Roberto Ormon conta também onde se encontram umas das suas obras na França: os painéis que estavam na Igreja da Trindade estão hoje na igreja de Saint-Michel des Batignolles (Paris, Place Saint-Jean, 17e arrondisement); um outro painel, chamado "Os Sequestradores do Mar", foi levado para o Centro Les Atlantes, na cidade de Les Sables d'Olonne.

Por que esse conjunto é raro?

Nessa carta, Flora Morgan-Snell agradece em francês um crítico de arte que publicou um artigo sobre ela na revista francesa l´amateur d´art (o Amador de Arte) que era renomada na França nos anos 1970-1980. Além da caligrafia absolutamente espetacular (amigos grafólogos, o que vocês podem nos dizer?), a artista presenteia o destinatário com dois desenhos originais típicos da sua obra.

Artigo da revista Epoca sobre Flora Morgan-Snell.


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