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Desenho de moda de Hubert de Givenchy trabalhando para Elsa Schiaparelli (entre 1944 e 1952)

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  • R$ 5.750,00


No início da sua carreira, trabalhando para Elsa Schiaparelli, Hubert de Givenchy imagina um novo vestido. 

Desenho de moda de Hubert de Givenchy quando trabalhava para Elsa Schiaparelli. Uma folha. Em francês. +/- 21 cm x 27 cm. Paris, entre 1944 e 1952. Canto inferior esquerdo rasgado, porém excelente estado geral. Peça única.

Minha querida Elsa,

Recordei-me de ti hoje, em uma fria tarde outonal de folhas alaranjadas, quando passeava pelas ruas de Paris, ainda um pouco sem rumo, pensando somente em qual restaurante escolheria para meu jantar dessa noite. Não serei, nesta humilde carta, um poeta alardeando sobre seu sorriso, mas necessito, sim, contar-lhe algo que me ocorreu.

Eram mais ou menos cinco da tarde, e a luz artificial das casas se misturava ao dourado céu de fim de dia. Tudo era tão pacato que quase me aborrecia, até que vi uma senhora caminhando pelo outro lado da vereda. Era, deveras, uma linda mulher, via-se, no entanto, sendo honesto, quase disforme. Cobria-lhe as curvas um vestido um tanto rococó, desses que minha avó vestia em nossas merendas campestres. Uma cintura absurdamente justa, que marcava curvas mais que artificiais, me fazia questionar se era, realmente, uma mulher aquela que passava à minha frente. Mas como seria ela, se o tecido que lhe envolvia o corpo exaltasse sua natureza? Menos sinuosa e mais elegante.

Dito isso, acometeu-me um desejo indomável de desenhar. Agarrei a lapiseira, que sempre levo em meu bolso, e o primeiro papel que tive ao meu alcance: um guardanapo de um charmoso café. Sim, tive que me sentar e pedir algo para comer, justificar o uso tão abrupto do pobre guardanapo sobre a mesa. E, a partir daí, uma musa se apossou de mim, desenhei e desenhei sem ver o passar do tempo. Já era noite, quando por fim larguei a pena. Regressei à casa com um pequeno tesouro guardado em meu bolso. Pequeno tesouro, este, que agora, humildemente, compartilho com você.

Peço desculpas por interromper sua viagem com assuntos de trabalho. Contudo, tive que fazer com que essa carta chegasse às suas mãos. Obviamente, tive o cuidado de passar aquele modesto rascunho a uma folha com todas as pompas. Afinal, uma dama como a senhora seguramente merece mais que um guardanapo enxovalhado. No entanto, o desenho que lhe entrego, juntamente com esta carta, nasceu desse momento de inspiração.

Conto-lhe tudo isso porque, enquanto transpunha meu desenho a este papel que agora está em suas mãos, pensei no quanto poderia este ser-lhe útil. Devaneio que este desenho lhe sirva de inspiração para que lancemos uma nova coleção. Sei o quanto lhe incomoda a competição incessante que Coco Chanel insiste em travar. Pois bem, sinto que, com essa coleção, ela não mais poderá dizer que você é “aquela artista italiana que faz roupas”. Terá que admitir que a senhora é A maior artista de toda a Europa, e que tem a moda aos seus pés. Espero que não se leve a mal este meu ousado sonho, mas os anos trabalhando com a senhora me fizeram mais que admirá-la. Assim sendo, entenderei, também, se a senhora acreditar que tudo isso não passou de uma doce ilusão de uma mente sonhadora. Contudo, repleto de esperanças, aguardo ansiosamente sua resposta.

De seu grande admirador,

Hubert de Givenchy

Por que esse documento é raro?

O texto acima é 100% ficcional, mas o desenho é 100% original. Cada documento autógrafo, especialmente desenhos, possui elementos conhecidos e outros que temos que imaginar... faz parte da magia da disciplina, do meu ponto de vista. Hubert de Givenchy (1927 - 2018) foi uma grande figura da moda francesa e a Givenchy continua uma empresa de porte mundial. Esse desenho é particularmente interessante - e raro - porque foi realizado por Givenchy no início da sua carreira, quando trabalhava para Elsa Schiaparelli. 


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