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Logo depois da Lei Áurea abolindo a escravidão, imigrantes italianos e ex-escravizados convivem na dura rotina de uma fazenda do interior paulista.
Grande fotografia da Fazenda Santa Thereza com imigrantes italianos.
Dimensões: 48 × 39 cm (suporte) / 39 × 29 cm (imagem).
Interior de São Paulo, entre 1890 e 1910.
Bom estado de conservação; o canto inferior direito foi restaurado por um profissional.
Peça única.
A foto mostra um grande grupo reunido em frente à capela da Fazenda Santa Thereza, com sua fachada simples, frontão triangular e uma cruz no topo. À esquerda, um homem carrega uma cruz de madeira, sugerindo uma procissão religiosa. Há trabalhadores com roupas claras e chapéus de palha, além de mulheres com vestidos longos e crianças no colo. Alguns poucos homens de terno contrastam com a maioria dos trabalhadores rurais. À direita, observamos uma mulher e uma criança negras. O chão é de terra batida, cercado por árvores e construções da fazenda. A composição é equilibrada e nítida, indicando o trabalho de um fotógrafo profissional.
A Fazenda Santa Thereza, em Limeira, é uma antiga e famosa fazenda de café do interior paulista, ativa desde o período escravista até o início da imigração italiana. A imagem provavelmente foi feita entre 1890 e 1910, período em que a fazenda substituía o trabalho escravizado — abolido em 1888 — pelo sistema de colonato com imigrantes italianos. Apesar de livres, muitos desses imigrantes viviam em condições bastante difíceis: chegavam endividados, pagavam "aluguel", pagavam pelo uso da terra e compravam comida no armazém da fazenda, quase sempre a crédito. Isso criava um ciclo de dependência que, na prática, não era muito diferente da exploração vivida pelos ex-escravizados. A capela funcionava como ponto de encontro dessas comunidades, reunindo todos em festas e rituais religiosos, mesmo com desigualdades sociais profundas. A Fazenda Santa Thereza deixou de existir como grande propriedade cafeeira por volta das décadas de 1930–1940, e hoje sua antiga área integra a zona urbana de Limeira, ocupada por bairros e novas construções. Esta fotografia é importante porque mostra, no mesmo espaço, ex-escravizados e imigrantes italianos, ambos enfrentando formas duras de trabalho e dependência econômica em plena era do café. O registro profissional de L. Sampaio fortalece o caráter documental da cena e preserva um momento raro da transição pós-Abolição. A imagem resume um período decisivo da história rural brasileira, revelando como fé, trabalho e desigualdade conviviam no início do século XX. O tamanho excepcional da imagem, rico em detalhes, dá um valor adicional a este item.